Sobre o nosso direito de enfeitar nossas fachadas.

O plano inicial era escrever sobre Hundertwasser,já que aqui em Munique estava acontecendo uma exposição temporária dele com o Hasewega. Tudo organizado e já planejado na minha cabeça. Então fui na expo coma Rafa - uma amiga - e a Zoé - minha filha. Uma exposição com mais de 200 obras dos dois artistas. Foi bem rápido, Zoé no vigor dos seus 2 aninhos sendo abastecida pelas cores vibrantes dos artistas era pura energia. Eu em poucos minutos me apaixonei e me deixei levar.

Em casa,me aprofundei ainda mais nele, descobrindo nele um fonte inesgotável. A sede crescia. Entre suas obras, seus desenhos,posters, projetos arquitetônicos, selos e porcelana eu fui me deliciando. Até que descobri seus pensamentos, seus ideais e seu rosto. Aguei nesse rio de paz.E cheguei a conclusão que ainda preciso navegar muito mais nessas águas para conhecê-las de fato. Prometo escrever sobre meu novo amigo.

Foi assim que ele ganhou meu coração

Suas cores me levaram a novos mundos,

no relevo das sua sobras me entreguei,

Cada cor saltitante,cada gesto brilhante,

Foi assim que me conquistou,

Um homem de “cem” águas,

Quero beber mais dessa fonte.

Friedensreich Hundertwasser, Me entreguei ao seu pacífico.

“A natureza é um fim em si, nada existe fora dela, enquanto harmoniosa é bela, a arte é o caminho que nos conduz à beleza.” F. Hundertwasser.

Por ♡ Nina Mendes


Mango Lassi.

Tentar escrever sobre Berlim me custou 3 dias com as fotos no ar e as palavras vagando por aí.
Pra mim, o processo de escrever sobre essa viagem começa quando vou selecionando as fotografias, entre os milhares de registros, e vou relembrando, revivendo e transbordando. Mas quem já visitou essa cidade sabe exatamente o que é ficar sem palavras e sem fôlego.
Chegamos numa tarde de domingo em uma cidade que carrega muita história na bagagem com cicatrizes presentes e visíveis. Ruas cortadas pela marca de um muro que separou famílias e amores durante 28 anos. Monumentos relacionados a memória de quem viveu uma época de tristeza e dor. Paredes vivas que através da arte expõem beleza, pensamentos e protestos. Música paras todos os ouvidos e sentidos.
Berlim me recebeu de braços bem abertos mostrando seu espaço intenso misturando culturas, cheiros e sabores.
A surpresa começou pela casa onde ficamos. Uma das casas mais criativas que já estive que reunia ideias e muita história. Diego (nosso querido anfitrião) nos recebeu com um abraço que já nos levou ao sentimento de lar. Mais um domingo pra marcar a minha vida. Esse ficou na memória com a simplicidade e as sábias palavras do Diego acompanhadas de uma deliciosa comida vietnamita e mango lassi.
Fizemos dois free tours maravilhosos. Mas o segundo me chamou muita atenção. Era um tour alternativo que passamos por partes da cidade marcadas por artes cheias de significado. Foi muito interessante olhar a cidade de diferentes perspectivas e entender toda aquela mistura. Não quero estragar a surpresa e nem a impressão de ninguém, então sugiro que acrescentem Berlim a lista de lugares para visitar com a cabeça disposta a receber.Além de todas as marcas e prédios que contam muitas histórias, existem uma parte (ou partes espalhadas) que inova e enche o olhar com visão da arquitetura moderna somando a tudo que foi absorvido antes. As formas e fachadas diferentes aguçam a vontade de se perder nas ruas e se achar em bares com jazz e boa comida.
Berlim realmente me encantou e me despertou para possibilidades diferentes de viver e habitar.


Viajar é surpreender-se.

Além do mundo novo que os nossos olhos se perdem ao tentar digerir, viajar certamente te encherá de surpresas ocasionadas por imprevistos e acontecimentos.
Era dia de se despedir de Gaudí e encontrar o charme parisiense quando nos deparamos com um voo cancelado devido a greve de tráfego aéreo na França. Traduzindo: ninguém chegaria em Paris naquele dia e em até dois dias depois.
Sabiamente, entre as opções oferecidas pela companhia aérea, decidimos ir pra Zurique e encontrar uma extensão, um laço, um pedacinho meu na terra do chocolate: a minha tia.
Passamos um único e lindo dia que nos foi presenteado do café da manhã ao jantar.
Fechamos a visita com um delicioso jantar na casa de amigos-irmãos que Tia Lili teve a maravilhosa ideia de nos apresentar.
Na manhã seguinte, Paris sorriu e brilhou com gosto de queijo e vinho. E foi assim o nosso primeiro dia lá, vendo a cidade pelo olhar de quem vive a cidade. Um parisiense músico nos hospedou em seu aconchegante flat e nos guiou com inúmeras explicações e histórias sobre esquinas e figuras populares. O dia se desenrolou pelos assuntos turísticos e pelas lembranças do nosso encontro no Brasil. A noite caiu em um pique nique debaixo de uma árvore na tentativa de fugir da chuva.
Deixamos por lá os nossos passos marcados em muitos cantos da cidade. A opção acabava sempre sendo andar, se perder e se achar. Até o fim da viagem.

Assim foi Paris, fruto das surpresas.

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